Depois da visita, no último dia do ano pedi para não se esquecer de deixar o espumante no frio.
Temos alguma coisa para comemorar, perguntou.
Claro que sim, apesar de tudo. Temos uma família, filhos lindos, saudáveis e inteligentes, temo-nos a nós.
Temos trabalho, dois palmos de testa, amigos, bons amigos, saúde, e tantas outras coisas boas.
Apesar de tudo, apesar da tristeza que voltou a invadir as nossas vidas, há sempre, haverá sempre algo a comemorar. E não será propriamente a chegada de mais um ano, mas sim termo-nos as nós e aos outros, que tão bem fazem parte da nossa vida e que têm chegado na hora certa para nos apoiar.
O espumante estava fresco e serviu não para desfiar um rol de decisões absurdas, como se aquele fosse o único momento do ano em que pensamos na nossa vida, nos planos, nos objectivos, mas para agradecer e comemorar o tanto que temos de bom.
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