Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012

Apagão

O apagão deu-se num segundo. Tão contente que eu estava porque os meninos estavam quase a dormir, o A. já ressonava aliás, o mais pequeno é que teimava em não fechar os olhos. Tão contente que eu estava, dizia eu, que ia levantar-me e ver finalmente o primeiro episódio da sétima temporada das Mentes Criminosas, gravado na véspera. Que ia poder sentar-me um pouco no sofá e partilhar a companhia, que ia saborear o silêncio da noite. Mas o meu corpo traiu-me. Apaguei em segundos e dormi a sono solto, sem remorsos, mas com pena, creio eu.
Sim, deito-me com os meus filhos para os adormecer, porque não ligo minimamente às teorias da falta de independência, de apego excessivo, de mimo, há lá coisa melhor que o mimo? É o momento mais nosso do dia que um dia há-de acabar. E um dia quando recuperar as noites no sofá, a ler descansadamente, a ver filmes, a conversar vou recordar estes momentos, estes apagões involuntários e provavelmente vou ter saudades.

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